quarta-feira, 12 de janeiro de 2011

ANO NOVO,VELHO MUNDO.






NOVO ANO, VELHO MUNDO

Em uma ponta do Alaska uma grande lasca de gelo se solta, assusta a foca e explode na água gelada. Sai boiando, rodando mansa em pequenas ondas, vai se desfazendo aos poucos, sem pressa, como os carros nas intermináveis filas das avenidas de ligação. A pressa é só dos homens, os carros não tem pressa. A presa da onça parda desapareceu no desmatamento, e ela então passa a procurar comida nos quintais, como o ladrão pobre que procura roupa nos varais. E nós estamos dando uma pausa, em meio às toneladas de fogos de artifício, e então usamos de todos os artifícios para enganar nossas pré-ocupações. Pisamos em brasa, pipocamos champanhes, trocamos abraços e beijos. Vestidos de branco, que é para estar bem com os santos, brindamos saudades, mandamos mensagens, esperando e torcendo que neste novo ano, possamos ter 365 dias de paz. Sem perdas, sem guerras, sem doenças, sem mortes, sem deslizamentos, sem aumentos (de salário tudo bem!), de tal sorte nos embriagamos de esperança, desejando do fundo do nosso coração, ter controle sobre o que não podemos controlar. E de promessa em promessa, cheios de pressa nos sentamos na poltrona macia, esperando tudo se realizar. Mas assim não é! E os dias vão passando, um mês indo embora, outro chegando, e continuamos fumando, engordando, e se limitando entre o almoço e o jantar, a esperar pela novela das 9 acabar. Pitonisas e videntes anunciam com fleuma que algumas personalidades vão nos deixar, um craque vai se meter em escândalos, chuvas fortes vão chegar, um time de futebol vai ser o campeão aqui, outro lá. E segue o cortejo desfilando obviedades, catástrofes, separações, aparições. No Oriente bombas continuarão a matar, na África fome e devastação, violência, seca, furacões marcam presença; no Brasil corrupção, favores, trocas... Este é o ano do Coelho pelo horóscopo chinês, segundo dizem será um ano calmo, para fazer tudo com serenidade. Tomara, vamos conferir no final. Mas o fato é que o mundo está muito igual, muito chato, o que assistimos é sempre um vídeo tape que já vimos. E então fica aqui o meu desejo de que a grande nota deste ano seja a criatividade, aquela da boa, que possa inspirar cada um de nós a criar pensamentos, ações e projetos que possam fazer a humanidade mais unida e feliz.

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