PEREGRINO
No sereno da noite busquei serenidade.
No éter da madrugada busquei eternidade.
No verde da mata busquei a verdade.
Estrelas me guiavam com certa cumplicidade,
como tem o menino com sua pipa no céu.
Queria descobrir esse mistério,toda essa complexidade,
levantar o manto,tirar a capa ,rasgar o véu.
Quebrar o encanto cantando um mantra, sagrado ou pagão.
Decifrar o DNA da solidão, e com paixão me encontrar.
Mas logo me perdi entre fadas falsas, e caí.
E depois me envolvi em doces valsas, e adormeci.
E rodando e flutuando feito um balão, eu subi.
E lá do alto prossegui, mas sem olhar para trás.
Mesmo sem mapa e sem bússola não desisti.
Nem relâmpagos, nem tempestades me detiveram.
Porque na vida só sei caminhar,só sei procurar.
Parece que perdi a agulha da minha alma num palheiro.
E procurando abrigo em campos de trigo,voltei a sonhar.
E um vento dourado embalava meus medos.
Como se fossem apenas fardos de algodão,
Nuvens leves e macias, fáceis de transportar.
Um pouco como você, fácil de carregar,
Difícil de esquecer, difícil de abandonar.
E o tempo? Ah! Você o tempo não consegue apagar.
BOCA DE LOBO



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