Uma pomba branca, manca pisando o asfalto batido, cachorros desfilam rápido exibindo suas donas em shorts e bermudas, a grande árvore, a velha e derradeira guardiã, permanece muda, solene, imponente, deve ter mais de 100 anos pela grossura do tronco. Quanto já não viu?Quanto já não ouviu?De vez em quando um bem te ví, alguns gatos arredios, pardais importados de Portugal. Essa é toda natureza da rua. Eu olho procurando campos de lavanda, campos de trigo, mas só vejo carros, concreto, vidros, postes, fios. Tudo o que eu não gosto. Parece que o tempo parou no tempo. Nenhum vento, nenhuma brisa, nenhuma folha voa, nenhum galho se movimenta, chegando de longe a música chata do caminhão de gás. Com todo respeito a Beethoven (Four Elise), mas é que tocada por um robô (?) fica muito "chatinha". Podiam tornar isso mais agradável, colocar um "Garota de Ipanema" bem orquestrado, ou "O que é? O que é? do Gonzaguinha, ficaria muito melhor, fica aí a sugestão. Continuo olhando, espionando da janela. Como colocam panfletos no portão, no chão da garagem, na caixa de correio! Tem pizza (um monte), cabeleireiros, cota em cemitério (sério!), super mercado, farmácia, encanador, cartomante, doutor, daqui a pouco vão oferecer capa de chuva prá mosquito, amante, ventilador prá tartaruga, coisas assim. Mas é trabalho e merece respeito, só acho que toda casa devia ter um "espeto" (tipo aqueles das mesas de escritório de antigamente) para colocar tudo isso, é só chegar e ir espetando, no fim do dia é só olhar, "tá" tudo organizado, sem sujeira, sem bagunça. Acho que vou patentear essa idéia! Mas tudo isso é monotonia, toda essa paisagem, todo esse panorama, não me encanta, porque no fundo, no fundo, o que eu queria mesmo era cantar, dançar, sentir, tocar, trocar. Receber um aceno que fosse das asas do passarinho pretinho e azul, da cor do mar da Polinésia Francesa. Quer saber? Ah! Como eu queria poder voar!sexta-feira, 16 de outubro de 2009
ESPIONANDO A RUA.
Uma pomba branca, manca pisando o asfalto batido, cachorros desfilam rápido exibindo suas donas em shorts e bermudas, a grande árvore, a velha e derradeira guardiã, permanece muda, solene, imponente, deve ter mais de 100 anos pela grossura do tronco. Quanto já não viu?Quanto já não ouviu?De vez em quando um bem te ví, alguns gatos arredios, pardais importados de Portugal. Essa é toda natureza da rua. Eu olho procurando campos de lavanda, campos de trigo, mas só vejo carros, concreto, vidros, postes, fios. Tudo o que eu não gosto. Parece que o tempo parou no tempo. Nenhum vento, nenhuma brisa, nenhuma folha voa, nenhum galho se movimenta, chegando de longe a música chata do caminhão de gás. Com todo respeito a Beethoven (Four Elise), mas é que tocada por um robô (?) fica muito "chatinha". Podiam tornar isso mais agradável, colocar um "Garota de Ipanema" bem orquestrado, ou "O que é? O que é? do Gonzaguinha, ficaria muito melhor, fica aí a sugestão. Continuo olhando, espionando da janela. Como colocam panfletos no portão, no chão da garagem, na caixa de correio! Tem pizza (um monte), cabeleireiros, cota em cemitério (sério!), super mercado, farmácia, encanador, cartomante, doutor, daqui a pouco vão oferecer capa de chuva prá mosquito, amante, ventilador prá tartaruga, coisas assim. Mas é trabalho e merece respeito, só acho que toda casa devia ter um "espeto" (tipo aqueles das mesas de escritório de antigamente) para colocar tudo isso, é só chegar e ir espetando, no fim do dia é só olhar, "tá" tudo organizado, sem sujeira, sem bagunça. Acho que vou patentear essa idéia! Mas tudo isso é monotonia, toda essa paisagem, todo esse panorama, não me encanta, porque no fundo, no fundo, o que eu queria mesmo era cantar, dançar, sentir, tocar, trocar. Receber um aceno que fosse das asas do passarinho pretinho e azul, da cor do mar da Polinésia Francesa. Quer saber? Ah! Como eu queria poder voar!
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