UM BRINDE!
Pela vinda futura de um mundo de Paz!
Que não se iludam os poetas, os palhaços, os profetas, tudo passa com pressa quando chegamos a uma certa idade, tudo escorre tão rápido das nossas mãos que não conseguimos segurar. Como gostaríamos de eternizar certos momentos, como gostaríamos de repetir façanhas, mas o trânsito da vida não engarrafa, não há farol, e mesmo que por ventura exista, não os vemos, sempre passamos, verde ou vermelho, pouco importa, vamos acelerados correndo muitas vezes sem saber para onde. É às vezes nos arrebentamos, outras arrebentamos os outros, e entre mortos e feridos prosseguimos como zumbis esfomeados atrás de sucesso, dinheiro, fama. A mesma luz que clareia também incendeia, e que não se iludam as donzelas enfeitiçadas, os príncipes disfarçados, os lobos da planície coberta pelos grandes edifícios, ninguém chora a nossa dor. E contudo, nem ranger de dentes, nem o rosnado rouco e profundo, nem as profundezas do mundo, podem ti fazer tremer. Nem a fúria dos ventos, nem o lamento chorado, agudo, que quebra taças de cristal e estoura as janelas envidraçadas da madrugada, podem ti fazer recuar. Nem o fogo que cospe o vulcão, nem o raio, nem o trovão, nem a mentira, nem o ódio e a raiva, podem ti fazer desistir. Se de fato tiveres amor dentro de ti, um amor pela vida, pela humanidade, pela natureza. Nenhuma força é maior do que a força do amor. Aquele amor verdadeiro, aquele do qual Paulo falou tão bem. Então um brinde aqueles que por amor recolhem crianças da rua, aqueles que salvam vidas porque amam a vida, aqueles que se aventuram pela África, pelo Oriente Médio, em missões de humanidade, um brinde aqueles que pelos morros e favelas levam esperança e alegria, um brinde aqueles que arriscam a sua vida pela dos outros, um brinde aqueles que de graça defendem inocentes, um brinde aqueles que levam conforto e dignidade aos idosos abandonados, um brinde aqueles que não conhecem a palavra preconceito, um brinde aqueles que estendem a mão para os que o mundo esqueceu, um brinde aqueles que carregam verdadeiramente a justiça e a honestidade em seus corações, um brinde a todos os salvadores de almas, sobretudo os incógnitos, os anônimos, cuja recompensa maior é sua paz interior, manifesta na imensa aura de felicidade que os acompanha e que compartilham.
Um brinde a você que me lê!


