quinta-feira, 11 de março de 2010
TROPICAOS PSICODÉLICO
TROPICAOS PSICODÉLICO
Gordas maças vermelhas suicidas se atiram pelas janelas dos prédios, árvores de concreto, num deserto onde o verde e a verdade agora são uma ilusão. Despencam e explodem como bombas , se espatifam e escorrem pelo chão molhado, seu suco doce espirra em todas as direções. Penhascos de neve pontiagudos se elevam, sobem e descem ao som dos tambores Taikô. De um furo no meu olho jorram em vez de lágrimas, flores, vermelhas, que as águias brancas recolhem e levam ao altar. De sorte ou de morte me encolho em um canto e me deixo seqüestrar, me deixo levar. De luta ou de luto me deixo matar, não sem antes refletir, nas águas límpidas de uma poça de água, espelho da minha alma, reflexo da minha falsa calma, que alguém pisou, como a querer calar. Ouço a missa mineira tocada por violinos, gaitas escocesas choram felizes. Os santos descem e dançam rodeando uma imensa rosa branca, pura, e por um processo de computação gráfica de última geração, essa rosa se transforma em um imenso manto. Mantras são cantados, anjos caídos se levantam e choram por amor, oram, e uma mulher linda surge por puro encanto, no interior daquele manto. Crianças negras, brancas e azuis se fundem harmoniosamente e adentram o espaço aéreo fechado. Cometas se projetam nos mares, e oceanos espirram uma água quente e salgada. Mulheres se ajoelham, homens choram e um grande corcel branco, todo paramentado, cravejado de diamantes, cruza o céu. Corujas douradas petrificadas apenas observam a Terra tremer e vibrar. Ventos fortes sopram do Sul e descobrem a alma ,dos seres que ainda vivos tentam se salvar.Eu sei, eu percebo que nada mais será como antes.Os papéis já não valem mais nada,promessas, dividas e até o dinheiro, vivo, é consumido em chamas.Que espetáculo!Eu assisto a tudo calado, mudo, e extasiado. Ao meu lado sacerdotes e pregadores são tragados como fumaça de cigarros. Carros não funcionam, fios se partem e chicoteiam os falsos profetas. As grandes bocas se fecham e são trancadas a sete chaves, como portas de mosteiro. Reina um silencio absoluto, e um vulto dourado começa a surgir no horizonte.Rajadas de Sol transpassam meu peito, e o vulto eleito se mostra sem máscaras, e nesse momento todas as máscaras caem, em todo o planeta.E ele diz então uma única frase que me faz chorar:- NOM DE LEESH! E antes que possa desvendar esse mistério, eu acordo, e para restabelecer a ordem eu abro um refrigerantchiiiiii. Porque ainda sei que o som é terapêutico e vai me acalmar. Interpretações serão sempre bem vindas!
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