sexta-feira, 4 de dezembro de 2009

PRÁ NÃO DIZER QUE NÃO FALEI DAS FLORES...




Aproximei- me  silencioso  como  uma  sombra , secretamente , como um paparazzo . Arrastei-me pelas calçadas noturnas procurando por você . E não ti achando , procurei por alguém que pudesse ouvir a minha história . Sussurrei então toda a minha vida ao ouvido do primeiro mendigo , que encontrei  dormindo pelo caminho. Ele sabia do  que eu falava e  também  me mostrou a sua solidão . Então segui em frente , um pouco mais aliviado pensei, patinando nos becos escorregadios da ilusão. Fui carregando no peito asfixiado, um coração complexo , cheio de emoção . E por um atávico instinto continuei seguindo seu rastro, guiado pelo seu perfume inconfundível de musgo, rosas e jasmim . E relembrei então os momentos, os melhores momentos que deixei escapar. É que minhas mãos ,trêmulas e inseguras , diante da magnitude do teu olhar ,não ti puderam acariciar, sentir, tocar . E por isso ti perdi , em meio a uma multidão de desejos inconfessáveis . E tentando ti esquecer , ti lembrei, tentando ti apagar, ti pintei ,com cores vivas e tão intensas, que pude sentir tua respiração ,expirando a fumaça branca do teu cigarro . E quanto mais quero me desprender da tua lembrança mais me agarro, quanto mais fecho meus olhos mais ti vejo aparecer, surgir. Eu queria , mas não posso mais fugir. Então conformado ,desejo ti encontrar um dia , quem sabe numa esquina , num elevador , num bar , quem sabe numa tarde fria ? Porque de verdade ,o nome que se dá a tudo isso , eu sei : é saudade !


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