Alguém disse que é melhor ser diferente, num mundo tão igual. A diferença cria sempre um novo conceito, um novo paradigma. E isto também é bom e ruim.Paradigmas são também facas de dois gumes.Toda vez que surge uma nova idéia, pode ser através das formas, das músicas, das roupas, na forma de se expressar;consultamos o tal "paradigma", muitas vezes embutido na nossa falsa moral.E se de um lado somos ávidos por novidades, também somos extremamente críticos com relação ao novo, ao diferente daquilo que estamos acostumados. Quando os garotos franceses começaram a deixar o cabelo crescer e a usar franjas, certamente chocaram a sociedade tradicional, mas quando os Beatles adotaram esse novo cabelo e depois toda uma geração adotou, essa "novidade", incorporou-se aos padrões estéticos do jovem, sendo aceita e utilizada no mundo todo. Ao longo do tempo, de geração para geração, muito conhecimento foi produzido através do "diferente", do "novo", alguns pioneiros pagaram muito caro por inovar, por se atrever a pensar e agir de forma diferente . A religião praticada na conveniência de alguns poucos poderosos auto denominados como "homens de Deus", teve seu apogeu com a "Santa Inquisição", queimando pessoas e livros, só pelo fato de serem "diferentes".E muitas religiões continuam assim até hoje. Regimes autoritários, tiranos, ditadores e toda uma corja de pretensiosos "donos da verdade" à serviço da "ordem", impediram e impedem em muito o progresso, o avanço, a evolução, a descoberta. O diferente do padrão tradicional, sempre traz uma certa ameaça, um certo temor àqueles que não se sentem suficientemente seguros com sua condição. O diferente sempre agrada a uns e desagrada a outros, e assim vai lutando até se tornar dependendo do fato, uma unanimidade. Também já disse Nelson Rodrigues que a "unanimidade é burra", e disse Khalil Gibran que o mundo não suportaria duas pessoas absolutamente iguais, porque elas dominariam o mundo. Somos diferentes! Falamos línguas diferentes,temos cor de pele diferente, temos biotipo físico diferente, temos estações diferentes, temos 365 dias no ano e nem um é igual ao outro, temos pontos cardeais diferentes, e enfim a diferença faz parte do mundo onde vivemos.Temos qualidades e defeitos, diferentes. Dentre todos os defeitos de que somos portadores, um de grande destaque é o vício de atirar sem ver, criticar sem provar, sem experimentar, sem dar uma chance de constatar se algo é de fato bom ou ruim. Todo mundo tem o direito de ter as suas preferências, mas tem o dever de respeitar as preferências dos outros, isto chama-se LIBERDADE. Outro grave defeito que temos é o de fazer um grande estardalhaço por causa de uma roupa, um cabelo, uma maneira de andar, uma forma de se expressar, e permanecer mudos para coisas que de fato merecem a nossa manifestação mais enérgica. Em nosso país o fato de uma moça ir à faculdade com um vestido curto, ocupa a mídia por vários dias. Enquanto isso fechamos os olhos para a corrupção que floresce com uma saúde extraordinária no cenário político, empresarial, e sabe-se lá mais onde. Fechamos os olhos para a violência, o desemprego, a saúde, a educação, enfim coisas que deveriam merecer a nossa atenção, e mais que isso a nossa "ação" no sentido de protestar com muita energia, aquela mesma energia usada na faculdade para agredir a moça de vestido vermelho. Porque aqui parece que só sabemos chutar "cachorro morto", enquanto os "cachorros vivos" (no mal sentido do termo cachorro), continuam mordendo esfomeados, grandes nacos da nossa honra e da nossa integridade.
segunda-feira, 16 de novembro de 2009
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