terça-feira, 26 de junho de 2012



 Grudados
Não pergunte o meu nome, eu não vou perguntar o seu. Apenas me beije com fúria carinhosa. Não pergunte o que eu faço, do que eu vivo, quem sou eu. Eu não perguntarei também. Somos agora dois trens desgovernados que vindo em sentidos opostos se chocam, se encontram cara a cara. Não existem palavras a serem ditas, não existem perguntas, nem respostas, apenas sensações perturbadoras. Basta nos destruirmos de amor e pronto!Eu sei que muitas vezes nos sentimos ocos como um vaso chinês, nos sentimos como um rio que secou e agoniza. Aguardamos uma próxima vez, uma próxima vida, uma nova chance, uma oportunidade para agarrar com nossas mãos enfraquecidas, a oportunidade que deixamos escapar. Daquilo que nos restou conservemos em vez de amargura, um pouco mais de ternura, um pouco mais de aventura. Lembranças são como fotos em preto e branco, cuja nitidez cada vez mais nossa miopia insiste em nublar. Nossa memória é agora um velho livro em cujas páginas amareladas, as tintas começam a desbotar. Contudo é imperativo não se entregar,não se perturbar, é imperativo não perder a capacidade de amar, portanto se o tempo não permite que nada mais possamos esperar,não vamos perde-lo em medos e preocupações,vamos seguir sem olhar para trás, de mãos dadas,colados, grudados com Super Bond, e assim sempre poderemos nos tocar.Sem se separar, sem se prender a nada, somente você a mim e eu a você.Não, não diga nada, apenas me passe o tubo de cola.